O Vale dos Reis é indubitavelmente um dos sítios arqueológicos mais importantes e mais emocionalmente impactantes de todo o planeta — uma necrópole real que guardou durante milénios os segredos dos mais poderosos faraós do Antigo Egipto e que continua a revelar descobertas extraordinárias a arqueólogos de todo o mundo, cerca de 200 anos após o início das escavações sistemáticas.
Vale dos Reis - Guia Completo sobre a Necrópole dos Faraós do Egito
O Vale dos Reis é uma das grandes atrações turísticas do Egito — com cerca de 5 mil visitantes por dia em época normal, e até 9 mil durante o pico da temporada de cruzeiros —, e é sem sombra de dúvida um dos lugares mais fascinantes disponíveis em qualquer destino arqueológico do mundo. Declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1979, o Vale dos Reis é em sua essência um imenso cemitério real que foi utilizado pelos faraós do Egito por 500 anos — com 65 tumbas descobertas ao longo de dois séculos de escavações, sendo a mais recente encontrada em 2008. Os nossos Passeios em Luxor e Cruzeiro Nilo incluem o Vale dos Reis como uma das visitas mais extraordinárias e mais profundamente enriquecedoras de todo o itinerário egípcio.
1. A História do Vale dos Reis - Por que os Faraós Escolheram Este Local
Uma das primeiras questões que qualquer viajeiro se coloca ao descobrir o Vale dos Reis é completamente legítima: por que os faraós não eram enterrados em pirâmides? A resposta revela uma dimensão fascinante da evolução histórica do Antigo Egipto.
As Pirâmides de Gizé e o Vale dos Reis pertencem a épocas completamente distintas. As pirâmides foram construídas durante o Império Antigo, por volta de 2500 a.C., enquanto o Vale dos Reis começou a ser explorado 1000 anos depois, já no período do Império Novo. Com o tempo, as pirâmides foram caindo em desuso — e foi o faraó Tutmósis I o primeiro a escolher o Vale dos Reis como local para a sua tumba.
O motivo exato desta escolha ainda não está totalmente confirmado, mas acredita-se que Tutmósis I optou pelo vale pela sua proximidade com o morro al-Qurn — cuja forma lembra a de uma pirâmide e era considerado sagrado para as deusas Hathor e Meretseger. Além disso, por ser um vale isolado, facilitaria o trabalho dos guardas contra possíveis ladrões de tumbas — embora, infelizmente, a história tenha mostrado que esta proteção acabou por ser insuficiente ao longo dos séculos.
2. As Descobertas Arqueológicas no Vale dos Reis
Dois Séculos de Escavações
Apesar de a exploração do Vale dos Reis ter começado há cerca de 200 anos e de 65 tumbas terem sido descobertas ao longo desse período, apenas onze delas foram devidamente registradas. As tumbas descobertas são classificadas como secundárias ou relevantes — sendo que as tumbas secundárias geralmente não possuem nada de arqueologicamente significativo, e muitas das tumbas relevantes revelaram pouco conteúdo, pois foram saqueadas sistematicamente ao longo dos séculos até ficarem completamente esvaziadas.
Napoleão, no século XVIII, foi um dos primeiros a demonstrar um interesse organizado na área, tendo comissionado um mapa detalhado do Vale dos Reis que viria a ser fundamental nos anos que se seguiram.
A Descoberta da Tumba de Tutancâmon
Em 1907, exploradores encontraram uma tumba que acreditavam pertencer ao rei Tutancâmon — mas após esta descoberta, nenhuma outra tumba foi encontrada, e em 1912 a maioria dos especialistas acreditava que o Vale dos Reis já havia sido totalmente explorado. Ainda assim, Lord Carnavon — um rico explorador britânico — obteve com sucesso permissão para continuar escavando o vale, contratando para o efeito um arqueólogo chamado Howard Carter.
Howard Carter descobriu uma série de tumbas nos anos que se seguiram, e em 1922 entrou para a história ao anunciar que havia encontrado a tumba do rei Tutancâmon. A câmara principal — que guardava o corpo do rei —, uma câmara escondida, foi aberta apenas a 16 de fevereiro de 1923, numa das revelações arqueológicas mais extraordinárias da história moderna.
3. A Tumba de Tutancâmon no Vale dos Reis
A descoberta da tumba de Tutancâmon no Vale dos Reis revelou cerca de 5 mil objetos — uma coleção de uma riqueza e de uma variedade genuinamente impressionante. O mais famoso de todos é a máscara mortuária de ouro, atualmente exposta no Museu Egípcio do Cairo.
É curioso que Tutancâmon, apesar de toda a fama que a sua tumba lhe conferiu, não tenha sido um dos faraós mais importantes da história do Egito — morreu ainda muito novo, com 18 ou 19 anos, e várias hipóteses circulam sobre a causa da sua morte: problemas de sangue causados pelo elevado nível de casamentos entre parentes, malária, possível assassinato, ou — numa teoria mais recente e plausível — um acidente de carro.
Comparativamente com as tumbas de faraós mais importantes, como a do poderoso Seth, a tumba de Tutancâmon no Vale dos Reis é relativamente modesta — possui apenas quatro câmaras, e as suas paredes foram decoradas de forma significativamente mais simples, com uma parte que parece ter ficado incompleta. Alguns arqueólogos sugerem que houve pressa no término da obra, seja por motivos políticos ou religiosos. Ainda assim, a descoberta da sua tumba intacta conferiu a Tutancâmon muito mais reconhecimento do que ele alguma vez teve em vida. Nenhuma outra tumba foi capaz de dar à arqueologia o que a de Tutancâmon proporcionou — e os estudos sobre as suas pinturas únicas e distintas das outras tumbas continuam até hoje.
4. As Múmias Desaparecidas do Vale dos Reis
Uma das dimensões mais perturbadoras e mais fascinantes do Vale dos Reis é o facto de nenhuma múmia ter sido encontrada em quase nenhuma das tumbas descobertas pertencentes a faraós. Muitas ainda continham tesouros e antiquidades, mas os corpos dos faraós já haviam sido há muito tempo removidos por ordem de sacerdotes — para os proteger de roubos. Os únicos faraós encontrados nos seus locais de repouso originais foram Amenhotep II e Tutancâmon.
No entanto, exploradores descobriram múmias de alguns faraós agrupadas em dois locais diferentes — e muitos arqueólogos acreditam que deve existir um terceiro local ainda por descobrir. Todas as tumbas identificadas até hoje foram saqueadas em algum momento da história, com estudos a apontar para o final da Dinastia XX como o período em que a maioria destes roubos terá ocorrido — apesar das entradas serem deliberadamente bem escondidas e secretas.
O escritor grego Diodorus Siculus visitou o Vale dos Reis por volta de 60 a.C. e relatou não ter encontrado nada além de pilhas de destruição — um testemunho histórico que demonstra que os saqueamentos foram sistemáticos e precoces. Ainda assim, há sempre a esperança de que algumas tumbas estejam tão bem escondidas que nunca ninguém as encontrou — como possivelmente aconteceu com a tumba de Tutancâmon, aparentemente ocultada ainda mais pelos escombros deixados por ladrões de uma tumba adjacente. Esta é uma questão que apenas o tempo — e possivelmente tecnologias ainda não disponíveis — poderá responder.
5. Margem Leste e Margem Oeste do Vale dos Reis
A grande maioria das tumbas do Vale dos Reis está localizada na margem oeste do Nilo — que é naturalmente para onde a maioria dos turistas se dirige em primeiro lugar. A margem leste possui apenas duas tumbas de relevância e tem consequentemente menos visitantes. Além disso, enquanto na margem oeste existem 10 ou mais tumbas abertas à visitação, na margem leste apenas uma está aberta ao público. Isto não diminui, no entanto, a importância arqueológica e histórica da margem leste — que alberga os extraordinários Templo de Luxor, Templo de Karnak e o Templo de Mut ao norte de Karnak.
6. Como Visitar o Vale dos Reis - Informações Práticas
O Vale dos Reis está aberto ao público todos os dias, mas é fundamental saber que, embora muitas tumbas estejam disponíveis para visita, apenas um número limitado está aberto em simultâneo. Esta limitação não decorre apenas dos danos causados pelos saqueamentos históricos — as tumbas também têm sofrido os efeitos do crescente número de visitantes, através do dióxido de carbono e da humidade: cada visitante deixa 2,8g de suor nas tumbas, o que afeta diretamente as pinturas milenares. Para mitigar estes efeitos, o Departamento de Antiguidades instalou desumidificadores e janelas de vidro nas tumbas mais afetadas, além de um sistema de rotação das tumbas acessíveis.
Um ingresso adicional é necessário para entrar na tumba do rei Tutancâmon especificamente, bem como para aceder às tumbas do outro lado do rio.
O Vale dos Reis é, sem qualquer dúvida, uma das visitas mais imprescindíveis e mais profundamente transformadoras disponíveis em qualquer destino arqueológico do mundo — e a Bastet Travel garante que a experiência seja vivida com toda a profundidade histórica e o conforto logístico que merece. Os nossos Passeios em Luxor incluem o Vale dos Reis juntamente com o Templo de Karnak, o Templo de Luxor e o Templo de Hatshepsut, e os nossos Cruzeiro Nilo e Pacotes de Viagem para o Egito combinam Luxor com Passeios em Assuã e o Cairo para a aventura completa pela terra dos faraós. Fale conosco pelo WhatsApp → http://wa.me/+201550191399
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